Escritores apresentam poesias autorais ou de poetas conhecidos do grande público/ Foto: Elisa Marina
A noite do último sábado, 29, em Mogi das Cruzes, teve clima de poesia. Diversos poetas da região se reuniram para participar da terceira edição do Sarau Poético que acontece na livraria Bruma Café com Viagem, e que contou com as apresentações dos músicos Rui Ponciano, Sérgio Rodrigues e Waldir Vera. Além disso, quem esteve por lá assistiu ao lançamento do minidocumentário Será o Benedito?, de Flavio Morais, idealizador e organizador do sarau, que conta a história dos quase trinta e cinco anos da seresta mogiana que ocorre anualmente no mês de dezembro. Essa edição de novembro teve o apoio da Editora Papília Carmine.
Sempre com entrada gratuita, a primeira edição do sarau aconteceu em julho desse ano, e foi totalmente dedicada ao poeta Paulo Leminski (1944-1989) o homenageado da Feira Literária de Paraty, a Flip. Em setembro, a segunda edição teve como homenageado o poeta mogiano José Araújo (1957-2017), mais conhecido entre seus conterrâneos como Zé.
Um evento dedicado à poesia e sem apoio público, numa cidade em que espaços literários são tão raras, diz muito sobre o pouco valor que administrações municipais dão para autores locais, como também para os músicos independentes, que se viraram como podem para levar a arte que produzem para além do seu entorno, enquanto que shows de artistas consagrados custam milhões aos cofres públicos e são pagos, ironicamente, por esses artistas independentes que são também pagadores de impostos. É evidente que essa desvalorização não é uma realidade exclusiva da cidade de Mogi das Cruzes, esse cenário ultrapassa os limites do município, pois trata-se, digamos, de um modus operandi, de governos de todas as esferas, em sua maioria.
Diante disso, e para além, o que fazem os poetas? Poesia. Para Paulo Leminski, poesia é a liberdade da minha linguagem. Manoel de Barros (1916-2014) dizia que poesia é voar fora da asa. E se para Fernando Pessoa (1888-1935) o poeta é um fingidor, logo poesia é um fingimento deveras. Um poema é sempre mais do que um poema, é a fala do infalável (sic), como diria o poeta alemão Johann Wolfgand von Goethe (1749-1832), e cada poema já é uma resposta à questão: o que é a poesia? No entanto, não se trata de apenas de uma definição, vai muito além disso, pois é nos poemas - na noção implícita de poema, que se encontra o pensamento estético dos poetas. Portanto, se navegar é preciso, nadar contra a maré é mais do que necessário.
