Escritora Randa Abdel-Fattah é socióloga e advogada, defensora do povo palestino e dos direitos humanos em geral / Foto: Macquaire University
Mais de 180 autores e palestrantes desistiram de participar da Semana de Escritores de Adelaide de 2026, após a comissão organizadora cancelar a participação da escritora palestino-australiana Randa Abdel-Fattah, porque segundo a autora a organização a liga a um ataque terrorista com o qual ela não tem qualquer relação. Jacinta Ardern, ex-primeira-ministra da Austrália, saiu em defesa de Randa.
No entanto, a diretoria do festival alega que o cancelamento da participação da escritora se deu em "respeito a uma comunidade que vive a dor de um evento devastador", em referência ao ataque terrorista na praia Bondi, em Sydney, que matou 15 pessoas durante celebração judaica no mês passado.
Cinco dias depois de cancelar a participação de Randa, a organização do evento anunciou ontem que a Semana de Escritores, programada para começar em 28 de fevereiro, não aconteceria mais. Os três membros restantes da diretoria renunciaram imediatamente, após a renúncia de outros quatro, com exceção do representante da prefeitura de Adelaide, cujo mandato termina no mês que vem.
Abdel-Fattah enfrentou críticas por algumas declarações, incluindo uma publicação na rede social X, em outubro de 2024, na qual apontava como meta "a descolonização e o fim desta colônia sionista assassina", numa referência a Israel..
Diante disso, Randa, que tem formação em Sociologia, entrou com ação de difamação contra o primeiro-ministro do sul da Austrália, Peter Malinauskas, após "ataques pessoais cruéis" em razão de sua exclusão no festival. "Nunca nos conhecemos e ele nunca tentou entrar em contato comigo. Ele não sabe nada sobre mim além do que lhe foi dito pela imprensa de Murdoch e pelo lobby pró-Israel, o que ele parece ter aceitado sem questionar".
Fonte:
Aeroagora
Comunidade Cultura e Arte
