Papília Carmine

A Ideia em Metamorfose

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Encontro de escritores celebrou legado da série Vaga-Lume
Evento na USP homenageou o escritor Marcos Rey, que faria cem anos em 2025


Jiro Takahashi, Maria Zilda da Cunha, Sersi Bardari, a mediadora Goimar Dantas, Marçal Aquino, Luiz Puntel, Paulo César Ribeiro Filho, Francisco Thiago Camêlo da Silva e Sandra Trabucco Valenzuela - Foto: Elisa Marina


Porta de entrada para a leitura de muitas crianças, a Série Vaga-Lume, da Editora Ática, completou em 2023 cinquenta anos de história, e 2025 marca o centenário do escritor Marcos Rey (1925-1999),pseudônimo de Edmundo Donato, homenageado em encontro de escritores que ocorreu na última segunda-feira, 4, no Auditório Nicolau Sevcenko da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), e contou com as presenças dos escritores Luiz Puntel, Marçal Aquino e Sersi Bardari, e do editor e criador da série Jiro Takahashi. 

A Vaga-Lume foi lançada em 1973 e durou até 2008, com um breve retorno entre 2020 e 2021, e tinha a proposta de oferecer literatura de qualidade para o público infanto-juvenil desenvolver o gosto pela leitura, principalmente jovens que buscam aventuras literárias, e se tornou um dos maiores sucessos da história do mercado editorial brasileiro, principalmente marcada pela produção do escritor Marcos Rey, que se destacou não apenas pela quantidade de títulos publicados - foram mais de 15 - como também pelas histórias de investigação policial protagonizadas por adolescentes, como O Mistério do Cinco Estrelas (1981), O Rapto do Garoto de Ouro (1982) e Um Cadáver Ouve Rádio (1983). Suas obras foram traduzidas na Espanha, Canadá, Estados Unidos, Argentina, Alemanha, Inglaterra, Finlândia, Japão, e a até então União Soviética. Antes da série, seus livros eram  voltados para o público adulto, com títulos como O Enterro da CafetinaMemórias de um Gigolô, ambos adaptados para o cinema, entre outros. Ganhou os prêmios Juca Pato e Jabuti em duas edições. 

Rey também escreveu roteiros para televisão, como as novelas O Grande Segredo (1967), A Moreninha (1975), e a série Sítio do Pica-Pau Amarelo. Fundou a União Brasileira dos Escritores, e foi eleito para a Academia Paulista de Letras, em 1986. Morreu em 1º de abril de 1999, e suas cinzas foram espalhadas de helicóptero por Palma Bevilacqua Donato (1928-2019), com quem foi casado. 

Organizado pelos professores Paulo César Ribeiro Filho e Francisco Thiago Camêlo da Silva docentes da Área de Literatura Infantil e Juvenil da FFLCH, o evento foi uma idealização do professor José Nicolau Gregorin Filho da área de literatura infantil e juvenil. Falecido em 2023, um de seus últimos textos dizia sobre a perseguição ao livro Menino Sem  Pátria, de Luiz Puntel, alvo de censura em uma escola da zona sul carioca em 2018, e pasmem, originalmente publicado em 1981, quando o Brasil ainda vivia os últimos anos da ditadura militar. 

Embora em menor número, duas escritoras da Vaga-Lume, Lúcia Machado de Almeida e Maria José Dupré, foram lembradas nas apresentações das professoras Maria Zilda da Cunha e Sandra Trabucco Valenzuela, respectivamente. Vale lembrar que os tempos eram outros, e a literatura feita por mulheres, pouco valorizada, prova disso é que as primeiras edições dos livros de Dupré foram publicados com o nome de Sra. Leandro Dupré, em referência ao marido.