Papília Carmine

A Ideia em Metamorfose

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Museu do Livro Esquecido conta com obras raras disponíveis para consulta pública
Casarão histórico, sede do museu, está localizado no centro de São Paulo


Obras raras escritas em língua portuguesa estão no acervo do museu

Residência do arquiteto Felisberto Ranzini (1881-1976), imigrante italiano que projetou a casa em estilo florentino do ano de 1924, o palacete abriga há um ano o Museu do Livro Esquecido, espaço dedicado à história dos livros impressos e conta com uma coleção divida em duas facetas: o acervo acadêmico, que apresenta a história dos livros e da tipografia, e o acervo de primeiras edições e livros raros, principalmente no campo da literatura clássica, brasileira e estrangeira, e de livros importantes para a história da tipografia. O acervo conta com cerca de três mil exemplares, entre antigos e novos, e o acesso a esses livros é por meio da solicitação da consulta.

Com entrada gratuita aos sábados e domingos, o museu oferece aos visitantes uma viagem no tempo, com móveis vintage e um ambiente restaurado, como o porão, onde funciona um laboratório de restauro de livros. O espaço promove oficinas culturais, com atividades como encadernação e restauro de livros, além de exibições de filmes ao ar livre.

O museu oferece também exposições, a primeira ocorreu ano passado e foi dedicada às escritoras Carolina Maria de Jesus |(1914-1977), autora de Quarto de Despejo, Tereza Margarida da Silva e Orta (1711-1793), a primeira escritora de um romance em língua portuguesa, As Aventuras de Diófanes, ainda no século 18, e Christine de Pizan (1364-1431), pioneira a viver de seu próprio trabalho profissional e da arte de escrita, nas cortes francesas do século 15. O nome do museu foi escolhido justamente para destacar a importância a autores e obras literárias que muitas vezes caíram no esquecimento.

Casarão, cenário de um fato histórico 

No espaço externo, há uma placa que indica provavelmente o local da antiga bica de Santa Luzia, que era uma das fontes de abastecimento para a população até 1919, quando foi fechada devido à insalubridade da água. Nessa fonte, ocorreu um inusitado episódio envolvendo Maria Domitila de Castro, a futura Marquesa de Santos, e o seu esposo, o alferes Felício Pinto Mendonça, que, com ciúmes, esfaqueou Maria Domitila que estava grávida. 

Em 2006, a casa foi vendida para um grupo de sócios que a tornou em centro cultural esporádico, conhecido como Casa Rinzini, focado na história da arquitetura. Em 2021, foi adquirida pelo atual grupo de sócios com o projeto do Museu do Livro Esquecido inserido na ideia de restauração


Serviço:
Museu do Livro Esquecido

Rua Santa Luzia, 31 - Liberdade
Sábados e domingos -entrada gratuita
Terça-feira: R$ 20 (inteira) e R$ 10(meia)
Aberto das 10h às 17h
Informações: 11-91853-6231