Membro da Academia Brasileira de Letras, Jorge Amado esteve na China três vezes
Quando se pensa na China, principalmente nos dias de hoje, o que primeiro vêm à mente são relações econômicas, com os Estados Unidos, as brigas tarifárias, e com o Brasil, a principal parceria comercial, e por isso, nem de longe os brasileiros poderiam supor que os livros também nos ligam aos chineses, mais precisamente a literatura que vem de Bahia. Jorge Amado (1912-2001) conecta o Brasil com o gigante chinês através de sua literatura uma vez que o baiano é o autor brasileiro mais traduzido para o mandarim e foi o primeiro a ser publicado em chinês, após a fundação da República Popular da China (RPC), em 1949. Dos seu 37 livros, 18 estão disponíveis no mercado chinês.
Zhang Jianbo, professor de Literatura da Universidade de Macau, diz que até os dias de hoje, ele é apresentado aos chineses como um embaixador, um representante típico da cultura e da literatura brasileira como um todo. Um dos motivos para esse reconhecimento naquele país é que muitos dos temas abordados por ele, embora com características bem brasileiras, são considerados universais. Além disso, na qualidade de membro do Partido Comunista do Brasil e a militância ativa na política do escritor eram amados pelo jovem governo chinês, que apresentou, pela primeira vez, Jorge Amado aos eleitores chineses em 1951, quando ele recebeu o Prêmio Stanlin da Paz entre os Povos, cujo critério prevalecente era político e ideológico. Devido à realidade sócio-histórica e cultural da China, a tradução de suas obras não foi contínua. Ela ocorreu em dois momentos significativos, na primeira metade dos anos 1950 e nos anos 1980, sendo essa última fase a mais importante, uma vez que a ideologia política deixou de ser o critério principal na tradução de escritores estrangeiros na China, e assim as obras de Jorge Amado tornaram-se o "passaporte" para sua entrada na China.
As primeiras quatro obras traduzidas foram: Terra do Sem-Fim, O Cavalheiro da Esperança, A Vida de Luís Carlos Prestes, Seara Vermelhe e São Jorge dos Ilhéus.
Fonte: Ibrachina / Scielo
