Performance dirigida pela atriz contou com a participação de moradores da cidade/ Foto: Assessoria de Imprensa
A partir de obras selecionadas pelo escritor Marcelino Freire, a atriz Olívia Araújo deu vida à intervenção "Caminhando com as Palavras", que fez parte da programação do festival Elos da Língua - Toda Palavra Lavra, ocorrido em São Francisco Xavier (SP), no último dia 5 de junho, marcando o Dia Mundial do Meio Ambiente.
Sob direção da atriz, essa intervenção é um circuito literário, poético e performático ao ar livre com leituras de clássicos de escritores, no caso Hilda Hilst, Ferréz, entre outros, feitas por moradores da cidade, que ocuparam por lá espaços públicos, como a Praça Cônego Antônio Manz. Essa ação integra a proposta de Marcelino Freires, um dos organizadores, que foi a de promover um diálogo entre literatura, comunidade e natureza, levando atividades culturais a diferentes locais do distrito e valorizando a participação dos moradores locais. Acho que para a grande maioria da cidade, todos os (escritores) escolhidos eram desconhecidos. Mas ao mesmo tempo, conhecidos na sua escrita. Às vezes, não necessariamente conhecemos a obra, ou o artista que a escreveu, mas as palavras se comunicam, isso que é o bonito da literatura, quando ela salta para além dos livros e encontra empatia, cria relação com aquele que ouve, e toma para si as palavras, descreve Olívia em entrevista para este site.
O convite de Marcelino Freire surgiu graças à peça interpretada pela atriz, Voar é o que me põe de pé, que tem como base a prosa de Freire no livro Bagageiro, e as poesias de Geni Guimarães publicadas no livro Poemas do Regresso. Ele (Marcelino Freire), então, fez essa proposta de se fazer uma caminhada literária pela cidade, convidando moradores interessados em literatura para lerem trechos de obras escolhidas por ele, e sob a minha direção, detalha Olívia.
Olívia destaca ainda que pretende levar essa performance para outros locais, pois para ela ocupar outros espaços públicos torna a arte mais plural com vias a se chegar a mais pessoas, principalmente quem não têm acesso à cultura. Muitas vezes você está, por exemplo, no ponto-de-ônibus e acaba vendo ou ouvindo (o fazer artístico), despertando assim uma curiosidade. É a magia da arte que te leva de um canto ao outro, sem precisar se mover. No entanto, por conta da peça Voar é o que me põe de pé, com a qual esteve em cartaz no Teatro Vivo no ano passado, e pretende apresentá-la em outros teatros, essa ideia foi adiada para, talvez, o próximo ano.
Carreira
Nascida em São Paulo, ganhou notoriedade no cinema com o filme Domésticas (2001), que lhe rendeu prêmios de Melhor Atriz no Cine Ceará e no Festival de Cinema de Recife. Atuou, entre outras, nas novelas Chiquititas, (SBT), I love Paraisópolis (TV Globo), Liberdade, Liberdade (TV Globo), Tempo de Amar (TV Globo), O Tempo Não Para (TV Globo), Malhação: Toda Forma de Amar (TV Globo), Além da Ilusão (TV Globo), e Fuzuê (TV Globo), onde interpretou a personagem Maria Navalha. No teatro, além de Voar é o que me põe de pé, participou de espetáculos como Família Muda-se (2006) e Cerimônia do Adeus (2023), pelo qual foi indicada ao Prêmio Cenyn de Melhor Atriz Coadjuvante. No cinema, atuou em filmes como Cidade de Deus, Onde Está a Felicidade?, Gonzaga: de Pai para Filho e Operações Especiais.
Por Elisa Marina
