Papília Carmine

A Ideia em Metamorfose

logo_marca-removebg-preview
Candidaturas à ABL visam ampliar representatividade
Ana Maria Gonçalves e Eliane Potiguara se candidataram à vaga de Evanildo Bechara

Ana Maria Gonçalves e Eliane Potiguara concorrem com outros doze escritores/ Foto: Redes Sociais

Marcada para o dia 10 de julho, a próxima eleição para a Cadeira de nº 33 da Academia Brasileira de Letras, que desde 2000 era ocupada pelo filólogo Evanildo Bechara, falecido no dia 22 de maio, aos 97 anos, conta com duas escritoras, dentre outros doze, favoritas à vaga. Ana Maria Gonçalves pode se tornar a primeira escritora negra o ocupar uma cadeira na ABL, como também a escritora Eliane Potiguara, a primeira indígena.

Ana Maria é autora do clássico Um Defeito de Cor, que inspirou a exposição homônima no Museu de Arte do Rio, em 2022, e o enredo da Portela, em 2024. Com mais de 900 páginas, o livro narra a trajetória de Kehinde, uma mulher africana escravizada que reconstrói sua própria história em primeira pessoa. A obra venceu o Prêmio Casa de Las Americas(Cuba, 2007), e foi classificada pelo jornal Folha de S.Paulo como melhor livro d\ literatura brasileira no século 21, em consulta com 100 profissionais do setor editorial. 

Eliane tem destacada atuação em prol da história e dos direitos dos povos originários. Escreveu Mulheres da Terra: Mitos, Rituais e Histórias Indígenas e O Direito de Ser Índio, entre outros. Tanto a presença de Aílton Krenak, o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na academia, quanto a candidatura de Potiguara representam muito mais do que apenas o acesso à ABL, falam sobre a importância e reconhecimento que a literatura indígena contemporânea tem ganhado no Brasil. O país tem cerca de 83 escritores indígenas, de 39 povos distintos, e mais de 200 obras de autoria indígena catalogadas, de acordo com o projeto Bibliografia das Publicações Indígenas do Brasil.


Your Heading